segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Jacaima 3



Jacaima 3

Você pára recostado a uma árvore, pés no chão, por algum tempo...
logo mais, os insetos explorarão seu corpo.

Você pára na sua melhor perspectiva para o palco, em frente a sua banda favorita...
e outros fãs preencherão o menor espaço à sua volta.

Deixe sua pele úmida ou suja por algumas horas...
e fungos formarão colônias em tua pele.

Deixe sua mente vazia por alguns momentos...
e o pessimismo, o desânimo e a alienação ficarão de prontidão
aguardando o puxão do vácuo de sua mente





mente cinza-preta
pensamentos cinzas em COLÔNIAS
introcolônias
neurocolônias
psicolônias
.
.
.
.
.
.
.
de alguma maneira
formas de vida COMPÕEM suas entranhas

pelo menos
enquanto perceberem quem está no comando.










Fred - 04/09/2008
Coleção Híbridos
Jacaima: língua tupi - cabeça negra

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Bárbaro

galeria de arte, exposição
pra formadores de opinião
muito vinho e champanhe
caros de roldão

[]
cubo de vidro, em metros, 3x3
3 pessoas incrustadas
com caretas na cara

dois jovens pintando
um desempregado engravatado
mais um cidadão meio coitado

tentando se esquivar
o braço esquerdo a escudar
um pedaço de muro pichado a fundear:
"é tudo nosso"
"nóis"
"revolucionar"
[]

"É bom de ver, criticar ou debater?"
"Nossa, adorei."
"Uma lástima, eu achei."

obra sem título
sem obra
mas fascínio

no cubo de vidro
a matéria-prima é você
mas antes de entender
a obra de arte é você

...

opinião é não ter opinião
pra escolher o lado que der escudo

nem é tão caro ser sofisticado nesse mundo
com sinfonia em CD de pano de fundo

ficou muito fácil obrar
investir em estilo
disfarçado de revolucionar







Fred - 01/10/2008
Coleção Delirium - Música

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

(SC)(AS)

O que dizer de nosso mundo?
É como perguntar sobre qualquer um dos mistérios da humanidade.
São tantas novidades tecno-algumas-coisas, bio-algumas-coisas, neuro-algumas-coisas.
Sem contar os pré, pós, neo-algumas-coisas.
Nomes que precisam ser inventados, porque as referências se acumulam,
se empilham.
No que chamo de
Signos Cumulativos (SC).

Poderia ser uma teoria nova, mas não é.
É somente um nome dado por uma perspectiva de vida.

Os SC são como um empilhado de representações.
Sendo que estas podem ser já filhas de outras representações.
A perder de vista essa paternidade e árvore genealógica.

Exemplo: Nossa!
Seu carro parece aquele outro, inspirado no anterior tal,
Brilhante como o cromo líquido,
Mas com detalhes que parecem aquela flor X
E aerodinâmica daquele animal aquático abissal
Enfim: o carro é percebido como um Animal Sígnico (AS)
Animal, porque ele te desperta emoções,
Tem vida,
Estabelece vínculo além do instrumental.

Suas possibilidades, enquanto humano limitado, se estendem,
Seu cérebro incorpora as coisas como se fizessem parte do corpo,
E muda como uma engrenagem que se sofistica.
E como você experimentará o mundo com novas possibilidades,
Adquiridas pelo seu poder de consumo,
Você mudou!

Assumimos o direito de fazermos e pensarmos o que quisermos,
Porém estamos nos adaptando às conseqüências dos nossos atos.
Como percebemos e experimentamos o mundo de formas cada vez mais...
Novas,
Percebemos como podemos ser diferentes de nós mesmos
Há algumas horas, dias ou meses atrás.

Ou seja,
Somos humanos
Comportando-nos como (AS)'s
Que se modificam ao contato mais ou menos profundo
Com os (SC)'s

A novidade?
Nenhuma.
Somente a velocidade dos processos mudou.
A agnosia aumentou
E os computadores nos ajudam a pensar
E os signos resumem as enciclopédias em alguns rabiscos

...

À beira de um rio, que já foi Tietê,
Quis ver um rio de forma diferente.
Coloquei meus óculos glandulares
Para ver as pessoas viciadas em suas emoções,
Com as cores que configurei pelo teclado,
Caminharem aglomeradas feito gigantescos
Sucos hormonais a desaguarem pelos prédios e repartições públicas
Em busca de trabalho honesto
Que lhes alimentam as mesmas emoções.







Fred - 17/08/2008
Coleção Híbridos - Pós-humanos/Pré-espirituais

domingo, 17 de agosto de 2008

Disco Nadador


A nave quando desceu
desceu de novo
ficou abaixo da luz
da pele do mar

em missão cerebral
implantar massa encefálica
no mundo do sal

cerebrou craca
cerebrou ostra
cerebrou mexilhão e concha

em missão cerebral
implantar massa encefálica
no mundo do sal

a nave depois subiu
e desceu de novo
se escondeu num sovaco de polvo
caiu de volta nas trevas
pra cerebrar as levas
do abissal, do sal, da hidrovia

deixou quem vive na terra pra evolucionar
cerebrou de um modo geral
quem fosse do mundo do sal
crustacear h'uma'nidade racial
uma novidade racial

cerebrou estrela
cerebrou ouriço
cerebrou pisci de toda crença
pra cerebrar alguma diferença

cerebrou de um modo geral
quem fosse do mundo do sal
crustacear h'uma'nidade racial
uma novidade racial





Fred - 01/08/2008
Coleção Híbridos
Música

terça-feira, 15 de julho de 2008

Piercing no fêmur

No leito da avenida, após instalar um piercing no fêmur:
* Machucou a perna?
- Não, vou fazer uma surpresa para minha namorada...
* Ah ta.

sorriso

- Onde desemboca essa aqui?
* Bem lá na frente, estrada para o mar.
- Obrigado... mas... e se eu seguir naquela viela dali?
* Retorno, centro.
- Ok, obrigado.

alguns passos mancados para o lado
entreolhares

* Só fica esperto com os ícones ali. Têm uns com 10, 20, 30 braços. Vacilou eles te pegam.
* Me roubaram uma pá de recordações. To tentando recuperar umas coisinhas da infância.
* Usa isso aqui, ó. Filtra bem.


óculos




Fred - 15/07/2008
Coleção Híbridos - Gotas Imagéticas