inventaram umas balas de material orgânico
se alimentam dum pó transgênico
e o pior é que os soldados se apegam a elas
colecionam
alimentam
e observam
todas coloridas
e rajadas de outras cores
se mexendo dentro do projétil
"estavam dormindo no tambor"
"nem deveriam ter saído..."
é o que disse o colecionador
quando as cápsulas explodem por dentro
se alojam e descarregam altas cargas de endorfinas
hormônios de "felicidade intensa"
o problema é esse:
foram feitas para satisfazer na marra
e chega uma hora em que as pessoas ficam tristes de tão feliz
é até um contra-senso
mas penso que mesmo os que querem ser baleados
desistem depois de um tempo
a idéia era combater a depressão epidêmica
carência endêmica
e qualquer forma de distorção da felicidade espraiada
pelas autoridades competentes
mas tudo bem
os soldados sisudos estão aí pra isso
acabar com qualquer foco de resistência
.
.
.
.
sorria
e ande sorrindo pelas ruas
ou alguma patrulha pode detectar seu chorinho manhoso
e te aplicar uma bela dose de felicidade no peito
Fred - 21/11/2008
Coleção Híbridos - Pós-humanos e Pré-espirituais
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Disco Nadador 2 - Peixe Cerebrado







observando mais uma vez
a cicatriz que me adorna a boca...
falou-me uma voz do passado:
"Que nasça a oportunidade dentro de suas trevas..."
assim começou o despertar
de um sono de uma vida inteira
que desmoronou para deixar sair de dentro de mim
uma vontade de evoluir e crescer que meu corpo não acompanha
sempre respirei água
e continuarei a respeitar essa exigência de minhas entranhas
e continuarei lutando pela minha sobrevivência
sempre buscando o alimento necessário à minha autonomia
respeitarei toda e qualquer forma de passividade completa
desde que não me cerque
pois que deste cardume dormente e bonito por natureza
que me deu o direito de nascer saudável
ofereço gratidão eterna
não longeva como escamas
mas perene como minha alma
agradeço humildemente meu Patrono
que me deu o direito de observar-praticar-aprender
instalou uma caixa de ferramentas das mais bacanas
atrás de meu olhos
de forma que eu nem preciso procurar
e agradeço a oportunidade
de distinguir os anzóis por detrás de ofertas fáceis
pelo prazer da saciedade que ofertam
que pagaria com minha liberdade e minhas energias
um prazer incerto
anzóis não me alimentam e ainda me ferem
puxando-me para cima na velocidade da ansiedade
em direção ao céu dos homens
abaixo do que eu quero
Fred - 17/11/2008
Coleção Híbridos - Pós-Humanos e Pré-Espirituais
domingo, 16 de novembro de 2008
- Quietude
depois que me injetaram
alguns neurônios domesticadores
extinguiram-se muitas dores
algumas delas e coceiras internas
tornaram-se constantes
até que se instalassem
pois caminharam-me errantes
as celulinhas em bandos
farejando meu cérebro?
ou dúvidas minhas
se investi certo?
me surpreende
a calma que me abate a fúria
e a própria cólera alheia
me surpreende
o amor que me acomete
onde outrora me faiscaria a raiva em centelha
me surpreende
sentir saudades
das fúrias de antes
financiei minha domesticação emocional
sob o pretexto de melhorar meus instintos
acabei com um extremo
no entanto, ainda vencido,
tento entender se o vazio que sinto
vem da vontade de poder explodir
ou de aprender a extingui-lo
Deus queira q'eu não O tenha atropelado
ou a mim mesmo!?
Ou será que meu financiado auto controle
deixou meu livre-arbítrio a esmo?
talvez nunca tenha sido livre na cólera
mas nunca o seja extirpando-me a fúria
reprimir não me parece controle
exigir melhora também é um tipo de cólera
enganar o espírito com o corpo
me parece fraudar a vitória
de vencer os vícios em aurora
pensando nisto sinto-me impelido a não me irritar
à propósito, os neurônios domesticadores
voltaram a funcionar
Fred - 12/10/2008
Coleção Híbridos - Pós-humanos e Pré-espirituais
alguns neurônios domesticadores
extinguiram-se muitas dores
algumas delas e coceiras internas
tornaram-se constantes
até que se instalassem
pois caminharam-me errantes
as celulinhas em bandos
farejando meu cérebro?
ou dúvidas minhas
se investi certo?
me surpreende
a calma que me abate a fúria
e a própria cólera alheia
me surpreende
o amor que me acomete
onde outrora me faiscaria a raiva em centelha
me surpreende
sentir saudades
das fúrias de antes
financiei minha domesticação emocional
sob o pretexto de melhorar meus instintos
acabei com um extremo
no entanto, ainda vencido,
tento entender se o vazio que sinto
vem da vontade de poder explodir
ou de aprender a extingui-lo
Deus queira q'eu não O tenha atropelado
ou a mim mesmo!?
Ou será que meu financiado auto controle
deixou meu livre-arbítrio a esmo?
talvez nunca tenha sido livre na cólera
mas nunca o seja extirpando-me a fúria
reprimir não me parece controle
exigir melhora também é um tipo de cólera
enganar o espírito com o corpo
me parece fraudar a vitória
de vencer os vícios em aurora
pensando nisto sinto-me impelido a não me irritar
à propósito, os neurônios domesticadores
voltaram a funcionar
Fred - 12/10/2008
Coleção Híbridos - Pós-humanos e Pré-espirituais
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