
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Fungi
homo sapiens
arrisquei-me
voluntário de uma experiência científica
cobaia, cobaiei-me
sob o manto pesado de uma alergia cutânea
arrisquei-me
um híbrido homem-fungo
ele curava-me e eu alimento dele
simbiontes
um dia alguém se alimentaria de homens modernos
como uma ironia ao secular caçador das outras espécies
muitas imagens vem à minha mente:
uma maçã com um círculo podre / escuro
a laranja e seu corpo quase todo tomado /fungos esverdeados
a plantação morta, um círculo frutoso e viçoso / de pesticida
um corpo esbelto e lindo / com uma perna mecânica
a realidade vem à minha mente:
meu ombro, pele áspera e penugem verde / um fungo medicinal vivo
meu ombro, verde por inteiro, / tem um odor diferente
entregando o corpo para curá-lo
sob a doação de terreno cutâneo
e a modernidade como um eterno barato
que nenhuma droga conseguirá alcançar
meu ombro não voltou ao normal
da vista de um helicóptero a diferença
uma multidão preenche a calçada; / eu com o ombro verde
o tempo passou / eu: um jardim
na minha casa / com receio de sair
serei fermentado?
decomposto?
homo sapiens fungi
já me mexo bem pouco
minha mente já se comporta em outra espécie:
minha paciência do tamanho dos ciclos da natureza
minha longevidade é longeva
minha modernidade passageira
a aparência é bem diversa e curiosa
a percepção do mundo não poderia ser a mesma
minh'alma mudou pouco
acesa
Fred - 23/08/2010
Coleção Futuro Desconhecido
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