
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Fungi
homo sapiens
arrisquei-me
voluntário de uma experiência científica
cobaia, cobaiei-me
sob o manto pesado de uma alergia cutânea
arrisquei-me
um híbrido homem-fungo
ele curava-me e eu alimento dele
simbiontes
um dia alguém se alimentaria de homens modernos
como uma ironia ao secular caçador das outras espécies
muitas imagens vem à minha mente:
uma maçã com um círculo podre / escuro
a laranja e seu corpo quase todo tomado /fungos esverdeados
a plantação morta, um círculo frutoso e viçoso / de pesticida
um corpo esbelto e lindo / com uma perna mecânica
a realidade vem à minha mente:
meu ombro, pele áspera e penugem verde / um fungo medicinal vivo
meu ombro, verde por inteiro, / tem um odor diferente
entregando o corpo para curá-lo
sob a doação de terreno cutâneo
e a modernidade como um eterno barato
que nenhuma droga conseguirá alcançar
meu ombro não voltou ao normal
da vista de um helicóptero a diferença
uma multidão preenche a calçada; / eu com o ombro verde
o tempo passou / eu: um jardim
na minha casa / com receio de sair
serei fermentado?
decomposto?
homo sapiens fungi
já me mexo bem pouco
minha mente já se comporta em outra espécie:
minha paciência do tamanho dos ciclos da natureza
minha longevidade é longeva
minha modernidade passageira
a aparência é bem diversa e curiosa
a percepção do mundo não poderia ser a mesma
minh'alma mudou pouco
acesa
Fred - 23/08/2010
Coleção Futuro Desconhecido
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Dica
Olás.
Quebrando a rotina deste blog um pouquinho sujo de poeira. Rapidamente, coloco à disposição do escasso público uma dica: http://blogdobite.blogspot.com/
Acredito ser um dos blogs mais sincero, bem amado e, talvez, infelizmente, desconhecido do grande público.
Com poesias sensíveis e sinceras, atinge com perfeição os sentimentos. E para as percepções mais observadoras fala muito sobre filosofia, de um modo bem fácil de abraçar e refletir.
A matéria prima básica é o cotidiano.
Em alguns momentos arriscando-se em paragens incomuns da mente humana. Porém, na maioria das vezes bebe no nosso dia-a-dia.
Simples e complexo. Algumas vezes belo e feio, ao mesmo tempo.
Grande Abraço.
Fred
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Nano
se alguém tivesse que representar as pessoas por meio de gráficos
talvez fossem esferas de informação instransponíveis
estáticos
com características, potencialidades e talentos
expostos em etiquetas para fora
como um pequeno porco espinho
gráfico
quando compreendidas
já são compreensões de versões do passado
e já não tem etiquetas
como signos que flutuam entre todas as formas de conhecimento
como um vírus mutante
mentalmente mutante
sensível e frágil
lento
este é o cenário...
...
Sferas - nanorobôs esferas
elas captam como filmadoras
sensoras, transmissoras
flutuantes
geradoras de imagens
coordenadas
esvoaçantes
espalham o que captam
para que qualquer um possa conectar-se
acessar
acessam
elas estão em toda volta
elas existem em todos os tamanhos
as menores são invisíveis
e estão em todos os lugares
possíveis
estou acompanhando uma
que está passeando dentro de meu cérebro
e eu não entendo muita coisa
pra falar a verdade, nenhuma
mas nem todos acessam tudo
e é por isso que todos aprendemos a ser
hackers e piratas
por questão de sobrevivência
por questão de liberdade
a paranóia é geral
irmã da liberdade total
mas eu continuo acessando algumas Sferas
e vejo um mundo muito parecido com fotografias antigas
esperas
vejo pessoas que sabem muito e pouco
como antes
mas, agora, elas estão à nossa volta
tão pequenas como nós
e vemos muito
e continuamos entendendo pouco
sobre nós
a sensação é de completude
até o momento de desconectar
se
desconectar não for só um ato físico
por questão de saúde
para salvar a razão
foco e concentração
silêncio e meditação
primeiro o vazio mental
depois alguns momentos de imersão
24/03/2010 - Fred
Coleção Híbridos - Futuro Desconhecido
Peles
peles azuis, verdes, vermelhas, amarelas, púrpuras...
e todas as suas variantes
todas saudáveis
formadas de células, nanorobôs, bactérias ou vírus
continuam pegando ônibus na esquina de casa
o rapaz Azul aperta o dedo contra uma tatuagem no ombro
materializa-se diante seus olhos
seu avô falecido
e conversam amigavelmente por uns instantes
a imagem se desfaz em luzes
o Azul chora comovido
pensativo
não demora muito e chega o ônibus
caminho de volta pra casa
pensando aonde esse futuro vai parar
Fred – 13/07/2010
Coleção Híbridos – Futuro Desconhecido
Diferente
diferente
tenho sangue doado em minhas veias
medula de outrem
coração e pulmão com partes sintéticas
olho direito é o mesmo de ontem
o esquerdo é de hoje
é diferente
a percepção muda
muda o mundo
mundo eu
mudo eu
sou igual em quase tudo
mas influenciado pela vida de forma diversa
conquanto senciente
sinto-me diferente
emocionalmente
sem a evolução linear ascendente de um meditador
yogue reto
ereto no meio do torpor,
e nas tempestades dos homens
e dos ventos arrasadores
e do amor
brilha meu cérebro
meu espírito
traciono minha cura
meu corpo complacente recebe a ajuda
há fios luminosos descendo suaves
enquanto olho de olhos fechados
para o céu
algo permanece imbatível:
eu aqui dentro de mim
01/07/2010
Fred - Coleção Híbridos
Futuro Desconhecido
flui.ng
meio árvore
meio luminoso
meio metal
meio odores
meio carne
meio osso
e, ainda assim, humano
células movimentando-se entre metal.fito.engrenagens
e, mesmo assim, apesar de tudo, AINDA HUMANO
as idéias fluem pela mente
ganhando corpo, encarnando-se em signos
agora, tudo faz sentido
agora, é possível ver
toda essa tecnologia implantada
só pra conseguir ver...
só pra entender o que somos nós
spiritual branding
spiritual robots
spiritual design
"flui.ng - a última fronteira em comunicação"
"flui.network and goodness"
"sua mediunidade é a nossa missão"
Fred - 18/11/2009
Coleção Híbridos - Futuro Desconhecido
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Spiritual Robots
No caminhar dos robôs gigantes
seus 10 metros deslizantes
precisam dos sensores a todo instante
para qualquer quadrante observar
Botões avivando os sensores:
Mecan(o): pisca o monitor; quadrados, círculos e números mensuram
Organ(o): pisca o monitor; brilham as estruturas vivas e apagam-se as restantes
Spirit(o): pisca o monitor; brilham as almas e os fluidos que perpassam e se entrelaçam em tudo
No andar dos robôs gigantes
seus 10 metros deslizantes
precisam dos sensores a todo instante
para qualquer quadrante observar
.
enxergar os raios gama vindos do céu
se não é outra dimensão da percepção, o que é então?
quando a aura muda de cor num beijo de amor
se não é outra dimensão da percepção, o que é então?
neste quadrante
os transeuntes percebem o que sai do corpo no momento da morte
o spiritual consumer
é um forte
quer as tecnologias do invisível
para elevar-se no momento da morte
os vultos são comuns
conversar com eles, ainda, é pr'alguns
pouco fala-se em morte mesmo
porque os dois planos agora são um
.
alfanje
kimono com bermuda
tranças afro em fibra ótica
mudando a cor da pele com controle remoto
mais uma esquina qualquer
preconceituosos correm perigo pelas ruas
e a diversidade exuberante torna-se hierática de tão comum
pobres e miseráveis saem da invisibilidade
e os becos e buracos abertos
expõem suas culturas marginais e sua inevitabilidade
culto ao passado
lâminas modernosas reverenciando as violências de outrora
perde espaço e prestígio toda a eficiência asséptica da tecnologia
agora, disfarçada de culturas antigas, renascidas e mescladas
a maioria quer se sentir imersa
e com as antenas de fora escancaradas
redescobrindo o passado
desencantados com os sertões de concreto
e extensos gramados jardinados e civilizados
misturebas e mixagens rumo ao desconhecido
na lida dos canaviais transnaturalizados,
nos aviões com cintos de biossegurança,
nas minas de ouro e de diamantes industrializados,
nos mosteiros seculares informatizados,
nas orações e rituais na presença de almas desencarnadas...
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Neste quadrante
No caminhar dos robôs gigantes
seus 10 metros deslizantes
os sensores a todo instante conseguem a tudo observar
Em todos os quadrantes
Arduamente
todos continuam buscando a felicidade
Fred - 18/11/2009
Coleção Híbridos - Futuro Desconhecido
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